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Essa é mais uma história
Que hoje vou lhes contar,
Aconteceu aqui no Brasil,
Bem antes de Cabral chegar.
Só tinha praias e florestas,
Como mil ilhas desertas,
Mas muito tinha a mostrar.
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Imaginem nosso país
Que nem nome tinha ainda
Podia ser qualquer um
Como: Floresta Linda
Ou: Terra de praias formosas
Ou: Montanhas tenebrosas
Lugar que a chuva não finda.
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Vamos chamar essa terra
De: Cidade Encantada
Aquela que você acha tudo
Mas volta dela sem nada
Seus rios têm muitos peixes
Se você pesca os deixe
Do contrário tá lascada.
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Essa pode ser uma lenda
Ou apenas uma narrativa
Uma fábula, ou uma crença
Ou uma história ilustrativa
Mitologia, saga ou mito
Mas garanto que o escrito
É história real, criativa.
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Na nossa grande Amazonia
Nas terras inexploradas,
Ainda se encontra vestígios
De uma cidade encantada
Escondida nas montanhas
Local que o rio não banha
Mas que já foi encontrada.
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Nossa cidade encantada
Não é lenda, é bem real
Existe há milhões da anos
Do mundo era a capital
Realmente ela existe
Mas não fique muito triste
Lá só se vê o matagal.
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Está no centro do Brasil
Deram-lhe o nome Ratanabá
Significa “cidade Perdida”
Vou lhes dizer onde está
No encontro de três estados
Entre montanhas e lagos
Amazonas, Mato Grosso e Pará.
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Segundo muitos relatos
A cidade foi erguida
Por seres de outros planetas
E naquele local construída
Mas isso não dar pra provar
Quem foi não voltou de lá
De nossa “Cidade Perdida”
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Um verdadeiro paraíso
Muitas pedras preciosas
Esmeralda das mais raras
Diamantes cor-de-rosa
Rubi, Água Marinha, Âmbar
Citrino, nem tinha ouvido falar
Mas, Grafeno, a mais rentosa.
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Nós vamos agora enveredar
Na mente do cordelista
Ele pensa em criar vida
Para a cidade futurista
Criar alguns personagens
Com a cara e a coragem
Só na cabeça do artista.
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O Governo extra terrestre
Quis procurar um planeta
Que tivesse muitas arvores
Seguiram Halley, o cometa
Foi em Saturno; desabitado
Vênus, gás pra todo lado
Disse: a Terra é a receita.
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Há cerca de dez anos luz
Avistam uma bolinha azul
Procurou uma constelação
Escolheu, Cruzeiro do Sul
De longe disse: Oceano
Outra vez, mais um engano
Chamá-lo-ei mundo Mur.
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Mur; na língua alienígena
Acho que significa mar
Muita água era demais
Pois não sabiam nadar
Então deram uma voltona
De longe viras a Amazonia
Aqui que nós vamos ficar.
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Pousaram a boca da noite
E começaram a marcação
Traçaram um mapa esquisito
Em um formato de mão
Mas eles só tinham três dedos
Pra eles não sentirem medo
Três Pirâmides era a solução.
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Mandaram então mensagens
Pra o governo de seu planeta
“Para vocês nos encontrarem
Sigam o Halley, o Cometa.
Depois do Cruzeiro do Sul,
De longe vão ver um Mur
Tragam consigo o Êta.
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Mandem a frota mais pesada
Pra construir nosso ninho
Tratores, guindastes, patrois
Vamos abrir um caminho
Para não dar nada errado
Vamos ficar camuflados
Tudo vai dar bem certinho.
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Enquanto eles esperavam
Pela chegada da frota
Construíram três pirâmides
Duas certas e uma torta
Uma baixa e duas altas
As duas reais a outra falsa
Não tem janelas e nem porta.
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Depois de trinta e sete anos
O que esperavam chegou
Trouxeram dois mil alienígenas
E o trabalho então começou.
Construiriam a grande Ratanabá
Entra o Amazonas e o Pará
O Êta, era o seu protetor.
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Agora vamos lhes revelar
O que de fato era o Êta
Um grande Dragão dourado
Nascido em seu planeta
Era a última geração
Filho do último Dragão
Ele nasceu sem gameta.
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O Êta seria o único
Dragão que aqui se viu
Há meio bilhão de anos
E nunca daqui partiu
Dizem que ainda está lá
Pra proteger Ratanabá
Do povo que aqui surgiu.
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Milhares de anos passaram
Na cidade da floresta
Sempre eles a construíam
Não tinham tempo pra festas
Seus lemas era trabalhar
Mas esqueceram de amar
Por isso só poucos resta.
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Durante séculos e séculos
Não pararam a construção
As maquinas foram quebrando
Substituíram-nas por mãos
Mas dentro daquele império
Alienígena também fica velho
Disso não tinham noção.
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Imaginem nosso Brasil
Sem ter um ser humano nato
Éramos um grande paraíso
Coberto por muito mato
Rios de águas bem claras
O que hoje é coisa rara
De alimento o mais farto.
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Depois de muito cansaço
Um casal se evadiu
Construíram uma canoa
E na noite escura, partiu
Aproveitaram uma Gamboa
Um na popa outro na proa
Ficaram ao sabor do rio.
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Outros e outros os seguiram
Sem rumos e sem destinos
Só que aqueles invasores
Eram seres pequeninos
Homens um metro e sessenta
Mulheres um e quarenta
Só queriam ter seus bambinos
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Por força de seus destinos
Um dia eles se encontraram
Formaram então grandes tribos
Dessa forma se agruparam
Esqueceram sua Ratanabá
Tinham o Tupã pra adorar
Dessa forma prosperaram.
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Os que fugiram de Ratanabá
Formaram grupos distintos
Por que fizeram desse jeito?
Por medo de serem extintos
Medo da grande vingança
Pois quebraram a aliança
Mas mantiveram os instintos.
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Os que escolheram o litoral
Chamariam Caiou’á (Guarani)
Que significa guerreiros
Isso eu posso garantir
Eram a defesa em barreira
Hábeis em criar trincheiras
Restam poucos por aqui.
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Os que escolheram a floresta
Se denominariam Tu-u’pi, (Tupi),
Que significa “Pai Supremo”
Também posso lhes garantir
Viviam de forma pacata
Defendiam a grande mata
Temos muitos por aqui.
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Tudo vem acontecendo
Desde sempre, e continua
Aceitem essas verdades
Pois elas são nuas e cruas
Mas se você não acredita
Pesquisem, livros e revistas
E criem também as suas.
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Sempre existiu a união
Entre os viajantes estelar
Vieram de outro mundo
Para aqui se instalar
Outros tiveram pouca sorte
Foram pra Amárica do Norte
Foram banidos por lá.
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Como viviam os alienígenas
Diferentes em estruturas
Segundo livros do assunto
Tinham excelente postura
Engenheiros e arquitetos
Falavam em muitos dialetos
Eram boas as criaturas.
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O planeta de suas origens
Nem tem no mapa estelar
Se eles um dia existiram
Nem dar pra localizar
São planetas apagados
Escuros, não iluminados
Por isso fugiram de lá.
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Tudo eles escreveram
Nas pedras da construção
Dar pra escrever muitos livros
Quem encontrar a tradução
São figuras desconhecidas
E letras mal redigidas
Esfinge, monstro, dragão.
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Uma escrita muito estranha
Parecido com hieroglifo
Aquelas que encontraram
Nas pirâmides do Egito
Só bastante diferente
Escrita de traz pra frente
Tudo em pedra de granito.
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As paredes de duas pirâmides
São de pedras preciosas
Garimpadas com esmero
Apenas as mais porosas
Estão muito bem polidas
Que parecem que têm vida
De belezas glamurosas.
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No interior das duas
Paredes com muito ouro
Altares de mármores raros
Um verdadeiro tesouro
Muitas pratas e brilhantes
Seus pisos são de diamantes
No altar um grande besouro.
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O Besouro é a entrada
De um túnel bem escavado
Tem dois metros de altura
Paredes de cada lado
Quilômetros de comprimento
No final um grande templo
Em um salão todo dourado.
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Isso é na terceira pirâmide
Que não tem portas ou janelas
Só existe um caminho
Para você chegar nela
Pelo túnel caminhar
Se conseguir chegar lá
Tem que enfrentar a sentinela.
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A sentinela é o Êta
O grande Dragão dourado
O guardião dos tesouros
Que ali estão guardados
Ouro, prata, diamantes
Peças raras, deslumbrantes
Riquezas pra todos os lados.
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Quem conseguir chegar lá
E derrotar o Dragão
Herdará todo o tesouro
Será o rei da Nação
Nação chamada Ratanabá
Só o Rei que vai mandar
Em toda aquela imensidão.
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Se lembram, lá no começo
Falei da terra encantada,
Que lá você tem de tudo
Mas dali não leva nada?
É isso aí, minha gente
Ser Rei lá é diferente
Vai reinar, sem ter espada.
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Se conseguires a posse
Serás o mais rico da galáxia
É isso mesmo que eu acho
Mas se tentares de lá sair
Pode crer, vás sucumbir
Te jogando de um penhasco.
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Eu vou lhes dar umas dicas
Pra chegar em Ratanabá
- Encontrem um Chefe Tupi
O grande Cacique Magûe’á
E tem com ele guardado
O mapa pra chegar lá.
Existe uma Carta Magna
Nas mãos de outro Cacique
Seu nome é muito conhecido
Está acampado em Buíque
É o grande chefe “Ka‘iki”
Que há anos pousou aqui
“Ave que voa” sem pique.
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Você tendo em seu poder
A Carta Magna e o Mapa
Pegue seu equipamento
E se embrenhe na mata
Siga rios e cachoeiras
Suba os morros na carreira
Que um dia qualquer você acha.
Tem um outro jeito fácil
Pra chegar em Ratanabá
Suba o rio Amazonas
Em direção ao Pará
Viaje durante o dia
Procure um índio pra guia
O melhor vou te indicar.
Na tribo dos pigmeus
Procure por Bambuí
Corre mais que um Saci
Quando você o procurar
Ela já não está mais lá
Amarre-o pra não fugir.
Se conseguir encontrar
Esse pigmeu ligeiro
Esteja sempre a sua frente
Não o deixe chegar primeiro
Mas se isto te acontecer
Leve a bussola com você
Volte rápido, companheiro.
Se ligue no modo mais rápido
Pra chegar lá, só de avião
Deves ter um paraquedas
Estude a sua localização
Observe bem a Longitude
Nunca esqueça a Latitude
Pra não ir na contra mão,
Urandir Fernandes de Oliveira
Se tornou o pai desse assunto
Hoje existe muita gente
Que faz juras de pés juntos
Se alguém já esteve por lá
Garanto e posso afirmar
Com certeza, hoje é defunto.
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Até o presidente Bolsonaro
Aquele que chamam mito
Mandou fazer averiguação
Só pra acabar com o conflito
Nada por lá foi comprovado
Portanto tá tudo errado
O caso é muito esquisito.
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Agora vem os problemas
Só pra provar o contrário
Há 450 milhões de anos
Não tinha nem Dinossauro
América e África um continente
Prestem atenção, minha gente
Não vamos posar de otários.
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Algumas cidades perdidas
Na nossa América do sul
A maioria dessas cidades
Se encontram no Peru
Bolívia e Colômbia têm
Até no Brasil também
A nossa é Kuhikugù.
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Existem cidades famosas
Para visitação de turistas
Cusco e Machu Picchu
Consideradas futuristas
Os Incas as construíram
Nas conquistas eles fugiram
São obras de grandes artistas.
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Chan Chan e Pachacámac.
Ambas também no Peru
São sítios arqueológicos
Em nossa América do Sul
Pachacámac em Lurim, Lima
A outra um pouco acima
Chan Chan, vale do Chimú.
Aqui no Brasil, temos um sítio
O X11 que também é Kuhikugù.
Cidade Pr[C2] é- Colombiana
No parque indígena do Xingu
Um povo de cultura avançada
Que está quase dizimada
Por doenças vindas do sul.
A fora nossos devaneios
O resto é pura verdade
Os poetas são mesmo assim
Mestres da criatividade
Nas cabeças do poeta
Transformar tragédia em festa
Faz isso, mas por vaidade.
Estamos na penúltima estrofe
Desse cordel, tão bonito
Dei motivo pra pesquisas
Em tudo que está escrito
Me prestam muita atenção
Não fiquem na contramão
Pra não entrarem em conflito.
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N ossa mente é tão fantástica
I sto, mais que um computador
V ai dar asas na imaginação
A o poeta, artista, e escritor
L iga fatos aos boatos
D iz que tudo está exato
O que escrevo, é puro amor.
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