quinta-feira, 22 de novembro de 2012

TOU FAZENDO MEIA NOVE!


Tu não sabes como é bom!
Fazer um sessenta e nove.
É melhor que andar na chuva,
Ou dirigir automóvel
Se conheces coisa melhor,
Espero que você prove.

Para fazer meia nove,
Esperei tempo demais;
E quando chegou na hora
Quase que cai pra traz.
Pedi ajuda a minha veia.
- Eu tou fora meu rapaz!

Eu acho muito bonito
Um meia nove olhar,
Um pra cima outro pra baixo,
Um pra lá outro pra cá
Juntado pé com cabeça,
Quem ver nunca vai errar.

Papai fez meia nove,
E minha mãe também fez
Meu avo e minha vó
Fizeram com lucidez.
Agora eu tou fazendo;
Mas faço com sensatez.

Um dia um amigo meu
Disse: hoje, eu fiz meia nove,
Mas em sua identidade,
Só tinha quarenta e nove
Porque aumentas a idade?
- É que isso me comove.

Compadre Chico Raimundo,
Diz que ainda é amador,
Fala pelos cotovelos,
Como se fosse um doutor,
Disse que fez meia nove,
Com a filha do promotor.

Mesmo sendo um amador
Dá aulas, mas de reforço,
Tem meninos e meninas
Se olharmos, nos dar gosto,
Ele ensina a todos eles,
De fevereiro a agosto.

Reparem no que está escrito,
E prestem muita atenção;
Só fazemos sessenta e nove,
Uma vez, oh meu irmão!
E quem fizer mais de uma
É chamado garanhão.

Tou fazendo meia nove,
E sinto-me muito feliz,
São sessenta e nove anos
Mas continuo aprendiz
Mais de vinte e cinco mil dias,
De vida. Bem pueris.

Tou fazendo meia nove,
Isso é motivo de festa
Só quero ver muita alegria,
Mas não pode ser modesta
Todos gritem: Viva Nivaldo!
Esse é pessoa honesta.

Em vinte e dois de novembro,
Sessenta e nove eu fiz;
Foi no século passado
O dia eu que eu nasci
Se Deus quiser faço cem,
Pra me deixar mais feliz.

Fazendo o meia nove,
Ando por todo Brasil,
Mesmo com essa idade,
Tem bala no meu fuzil
A minha velha propaga,
Pense num veio viril!

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

INCONCIENTE COLETIVO


Momentos passam,
E a sombra opaca do amanhã
Esta muito longe
De nossa
Compreensão.

Os homens
Mutilam-se
Na esperança
De prever
Ou antever
Um futuro incerto.

Mas a vida continua
Passando.

E as pessoas continuam
Passando.

O tempo é único.
O presente
Confunde-se com
O futuro.
Isso porque
Os tempos verbais,
Presente e pretérito
Marcam o passo
do tempo.
E a
Incerteza do futuro,
Deixa-nos
Perplexos.





TREZENTOS DIAS NA CAVERNA


A procura de novas aventuras, e novos momentos, onde a adrenalina o tornasse mais “ligado”, e fizesse com ele “interagisse melhor”; com o meio ambiente, fez com que aquele jovem, inconsequente, despreparado para a vida, caísse em sua própria armadilha.
Durante meses os parentes mais próximos tentaram dissuadi-lo de se aventurar por caminhos obscuros e totalmente desconhecidos, e nada.
Da forma com que ele estava se deixando levar pelas ondas do delírio, de uma juventude mimada onde um desejo era imediatamente atendido pelos pais, isso o deixou totalmente livre para fazer aquilo que para uns era estranho, mas para ele era a marca de uma adolescência cheia de direitos, e sem direito a nenhum dever; nem para si e nem para a sociedade de um modo geral.
Dias e meses foram passando, sem que o jovem se desse conta de que mais dia, menos dia, aconteceria algo que ia deixa-lo fora de circulação. Mas tudo isso já estava devidamente planejado e pensado, mesmo sem que ele percebesse, é que em seu inconsciente as consequências de seus atos um dia viriam, e ele e somente ele teria que assumir.
Mas ai estava seu engano, pessoas que em nada contribuíram para sua irresponsabilidade, viriam a sofrer as consequências pelo trilhar de caminhos tortuosos escolhidos pelo rapaz.
Bem próximo ao Natal, (onde por tradição as famílias unem-se e confraternizam-se), o jovem, teve seu momento de retroação, e a partir de um momento de descuido, caiu em uma ribanceira que terminava dentro de uma caverna, ate então desconhecia por ele e por seus familiares.
Iniciou-se nesse momento uma batalha para realizar o resgate daquele jovem impulsivo e impetuoso, mas totalmente despreparado, sem o menor conhecimento espeleológico, sem ter conhecimento topográfico da referida cavidade, isso porque anteriormente nunca havia visitado uma caverna, e nem tão pouco, conhecia alguém que tivesse vivido pelo menos alguns dias dentro de uma.
Quando se deu conta, o rapaz estava totalmente aprisionado pelos habitantes subterrâneos. Pessoas de faces transtornadas, e caráter duvidoso; com peles pálidas pela ausência da luz solar, mas valente pela luta para se manter vivo naquele local inóspito. Dependentes total de um sistema, onde quem entra é dominado pelos moradores mais antigos, e tem que se submeter à autoridade de líderes que nem sempre têm o carisma para sê-los.
Foram dias angustiantes, dias em que os horizontes pareciam cada vez mais distantes, fazendo com que mais e mais pessoas fossem sendo recrutadas para participarem do resgate daquele jovem.
Quem observava de longe via que principalmente seus pais se desdobrassem, e encarassem, sem recursos materiais e financeiros, para bancar despesas nem sempre reais, mas obrigatórias para ter a “felicidade ou infelicidade” do direito de ver ou se aproximar do filho.
Dias foram se passando, os pais definhando, com saúde abalada, (principalmente a saúde psicológica), o que causava mais e mais estrago em suas vidas. A esperança de ver o jovem fora daquela caverna; tornava-se cada vez mais difícil, a crença de que tudo aquilo era um grande equivoco, é que alimentava cada hora e cada dia as esperanças do jovem casal, e a cada vez que eles conseguiam ver o rapaz, trazia para ambos os momento de angustias, aumentando cada vez mais o estado depressivo em que se encontravam.
Lembravam os momentos em que costumavam participarem juntos, (pais e filho), de eventos em que era comum estarem unidos. Natal, Ano Novo, Carnaval, Páscoa, festas Juninas, festa da Padroeira, dia da Independência, e outros e outros eventos, nos quais costumavam participarem juntos e felizes.
Então vinha a dúvida: será que aqueles dias dentro daquela caverna faria com que o rapaz criasse uma nova visão da vida?
Que ele fizesse de tudo aquilo um aprendizado, onde as lições aprendidas ficassem gravadas dentro da cabeça (até então vazia), daquele jovem?
Como seria sua vida fora daquela caverna?
Estaria ele mais maduro e mais responsável?
Só o tempo poderia mostrar isso para seus pais e para as pessoas que o tinham na conta de um jovem acima de qualquer deslize.
Trezentos dias se passaram ate que o rapaz se “libertasse” e conseguisse sair da caverna e visse a luz do sol (da Vida), outra vez.
Agora o que nos resta?
Apenas esperar e ver, se o jovem “espeleólogo”, tenha vontade de voltar novamente a residir em “cavernas” ou se tenha criado verdadeira ojeriza pelo local, e nunca mais queira voltar ou nem ao menos passar por perto de uma.

SÓ O TEMPO RESPONDERÁ A ESSA ESPECTATIVA